pergunto-me montes de vezes por que raio a sorte rima com morte
e se o quanto das minhas dúvidas mora na ordem do mistério
ou do recalcamento
espaço público da miséria alheia graficamente encalhada entre o tédio do sujeito digital e a turbulência da objectividade geral
sexta-feira, 29 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
ecos da destilaria
há agora uma diferença nas palavras
há que lavrá-las
elas são precisas
devem ser precisas mesmo se desafinadas
sabemos bem que esta vindima nos trará azedas as uvas
mas sabemos também que de nada vale o açúcar quando as raízes são secas
chamem lá por sebastião, por malaquias, por oresteu
continuem a culpar os concílios, os monstros, os nevoeiros
e os messias que para vós tão facilmente vão de diabos a parceiros
e ainda falam das prostitutas
que capitalizam somente o corpo que é seu
e honestas vendem o que realmente lhes pertence
vocês que tentam até capitalizar deus
vocês que tentam até capitalizar deus
sem perceberem que eu sei que vocês sabem que o deus sou eu
mas atentem
é que se esta nossa aversão ao podre for pelo menos igual à vossa sede de vinho
de nada hão-de valer os vossos votos, os vossos tiros, os vossos submarinos
que nós somos adultos de braços e vocês são só uns meninos
deixemos por favor de confundir o Estado com o Desgoverno
que nenhuma escravidão é florida
e ninguém parte para a guerra com um sorriso vestido
atentem bem
que esquecidos parecem
que esquecidos parecem
o vinho depende sempre sempre da vindima
e do pisar das uvas que são nossas
mas nós este vinho não queremos que nada casta é vossa casta
monte antigo agora velho e acre com o desplante de ser caro sem saber ser amigo
e nós povo tão dado à metáfora, ao respeitinho, ao engano
que vos pisamos o vinho e só bebemos bagaço
diremos, quero crer, em breve
basta
há que arrancar as raízes e nos fazermos semente
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