sábado, 29 de janeiro de 2011

primeiro o manifesto mas só depois do cruzamento

largar as ondas do mar


pousar o sal



do choro do esforço do condimento





largar




largar






alargar




e lutar






porque a luta é na terra





e a viagem é no mar


ao mar o turismo
na terra a hipótese do abismo



o horizonte não é altura não é do tempo
não é firme o sonho denso
e não podemos viver para sempre em contratempo
de nada serve a vertigem sem o firmamento

à luta, pois, à guerra


é que a guerra é cá da terra

e o teu corpo é do momento




mesmo que o desejo que te embala o pensamento esteja noutro alento qualquer
não há remédio
é teu também o filho da puta do tormento


em nós recai a generalidade obtusa de um tempo bruto e lento


fere a todos dói a todos



mas poucos ainda infelizmente ainda assustadoramente poucos
se confrangem de armas em punho
com o punho se defendem do constrangimento
e se armam contra este tempo


sim
desta vez preciso é que saias de casa
do teu apartamento
não
não há desta vez como manter a mente bem à parte do tormento
não é de cima a-penas que verás a porcaria
(por que rio? porque não mar?)
Água vai!

água vai a merda escorre e mesmo que te julgues abrigado o lodo se esfiará entre os teus cabelos vai certamente arranjar maneira de te entrar pela janela e se não te puseres a pau há-de invadir-te todos os orifícios depressa te correrá no sangue e te irrigará todos os órgãos


regar de razão todo este veneno



rasgar a morada deste tempo



sim

é preciso que desta vez te dignes a sair da tua sala

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