terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

zaragatas


estas inócuas brigas de gatas



nelas não me imiscuo

não mais

não além


não depois




que as sustentem sozinhas

essas mágoas

essas galinhas



aqui nada treme que o tremor


e vocês só celebram cadafalsos




infernos cheios de juízos falsos e céus prenhos de bocejos



quem dá mais?
quem se converte?



e agora o aqui

e este cimento triste a amparar-nos as quedas



só canto o vinho quando esfolo os joelhos



não

azar das gatas



prefiro sangrar os joelhos a ter que me desviar das vossas garras


jurei pelo orgulho paternal não me deixar envolver em guerras baratas

édipo não foi sempre cego
e o fado não foi sempre um peso






pois que não calo


mas por certas almas
por certas lutas

por essas não berro


não esfolo as cordas nem arranho a pele



há que resguardar a carne de conflitos estéreis




e tudo isto dito sem intriga
sem fobia


há que manter as aparências num regime de ironia




e se falhar a ironia
desculpa-te com a geografia
e se falhar a geografia
remete-te à burocracia
e se não colar a burocracia
engole em seco e espeta-lhe com a afasia



e se a afasia te falhar

espeta-lhe com a carta da minha acrasia


é sempre um trunfo em mão alheia, esta minha caótica temperança




mas não iludas as tuas garras


de um lado a gata na contenda


atrás dela o teu azar





é que eu não agarro, deixo livre



e se arranho, quando aranho

é porque posso morder





Sem comentários:

Enviar um comentário