zaragatas
estas inócuas brigas de gatas
nelas não me imiscuo
não mais
não além
não depois
que as sustentem sozinhas
essas mágoas
essas galinhas
aqui nada treme que o tremor
e vocês só celebram cadafalsos
infernos cheios de juízos falsos e céus prenhos de bocejos
quem dá mais?
quem se converte?
e agora o aqui
e este cimento triste a amparar-nos as quedas
só canto o vinho quando esfolo os joelhos
não
azar das gatas
prefiro sangrar os joelhos a ter que me desviar das vossas garras
jurei pelo orgulho paternal não me deixar envolver em guerras baratas
édipo não foi sempre cego
e o fado não foi sempre um peso
pois que não calo
mas por certas almas
por certas lutas
por essas não berro
não esfolo as cordas nem arranho a pele
há que resguardar a carne de conflitos estéreis
e tudo isto dito sem intriga
sem fobia
há que manter as aparências num regime de ironia
e se falhar a ironia
desculpa-te com a geografia
e se falhar a geografia
remete-te à burocracia
e se não colar a burocracia
engole em seco e espeta-lhe com a afasia
e se a afasia te falhar
espeta-lhe com a carta da minha acrasia
é sempre um trunfo em mão alheia, esta minha caótica temperança
mas não iludas as tuas garras
de um lado a gata na contenda
atrás dela o teu azar
é que eu não agarro, deixo livre
e se arranho, quando aranho
é porque posso morder
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