terça-feira, 10 de maio de 2011

Petição para Uma Montanha Russa em Portugal

pior do que não se saber que o mundo é grande
é achar-se dentro do mundo pequenino
espelho de ser inconsequente
signo afogado
afecto tombado
ser longe e estar perto
 ou o seu contrário


vivo no mundo entre o céu e o inferno

e por vós acederia nunca aos sons que lhes nascem pelo meio
nem às vistas que se estendem além das vossas possíveis e das minhas infinitas janelas

mundo na vida entre que céu e que inferno

simétricos pólos ensimesmados na mesma crua insignificância
o frio metal sobre o metal frio
paradoxo de uma força sem potência
com que cobrem de flores as cortinas das janelas que julgam vossas
quando essas janelas também são minhas e eu sei haver um mar atrás delas


negam-me a vida por se negarem o mundo


só por medo do vento
  que vos venderam o sopro como tempestade
só para que o sol não ferva cruelmente no asfalto
  que os vossos pés descalços já não se sabem caminho
  e os vossos umbigos se esqueceram que não nasceram sozinhos
 
ou então


simplesmente


porque o vosso corpo se desabituou do susto


e já não há um pingo de amor destinado à adrenalina


tanto o mundo como a vida têm as cortinas corridas







é que ainda pior do que achar que se é pequeno
é por conta disso se não fazer do mundo grande


e esconder o mar para que se deixem de esperar as marés




queimem-se então as cortinas












a primeira coisa que nos levaram, para que começássemos a esquecer a liberdade, foi a montanha russa.

Sem comentários:

Enviar um comentário