pior do que não se saber que o mundo é grande
é achar-se dentro do mundo pequenino
espelho de ser inconsequente
signo afogado
afecto tombado
ser longe e estar perto
ou o seu contrário
vivo no mundo entre o céu e o inferno
e por vós acederia nunca aos sons que lhes nascem pelo meio
nem às vistas que se estendem além das vossas possíveis e das minhas infinitas janelas
mundo na vida entre que céu e que inferno
simétricos pólos ensimesmados na mesma crua insignificância
o frio metal sobre o metal frio
paradoxo de uma força sem potência
com que cobrem de flores as cortinas das janelas que julgam vossas
quando essas janelas também são minhas e eu sei haver um mar atrás delas
negam-me a vida por se negarem o mundo
só por medo do vento
que vos venderam o sopro como tempestade
só para que o sol não ferva cruelmente no asfalto
que os vossos pés descalços já não se sabem caminho
e os vossos umbigos se esqueceram que não nasceram sozinhos
ou então
simplesmente
porque o vosso corpo se desabituou do susto
e já não há um pingo de amor destinado à adrenalina
tanto o mundo como a vida têm as cortinas corridas
é que ainda pior do que achar que se é pequeno
é por conta disso se não fazer do mundo grande
e esconder o mar para que se deixem de esperar as marés
queimem-se então as cortinas
a primeira coisa que nos levaram, para que começássemos a esquecer a liberdade, foi a montanha russa.
Sem comentários:
Enviar um comentário