tão violenta a nossa imagética cinematográfica
tão pachorrenta esta nossa almagética
sim, sim
crónica
idiótica
costumada
a nossa encostada
pegajosa
dialéctica
sempre tão apologética
tão cristãzinha quando nem sequer é baptizada
o corpo a querer dizer porra e a voz a dizer chulé
ah, pois é
esta puta desta vida o que anda a pedir é porrada
e acreditai-me, generosos ouvintes,
que nem as putas nem as fadas me habitavam a poesia
foi a lista das compras, senhores
foi a ida ao supermercado
foi o café, as finanças
foi ir ao boom ou ao andanças
e ao destino, a esse cabrão, ter que mudar-lhe as fraldas
ora que porra
ora que merda
ora que tristeza
que eu sorrio muito eu sofro muito eu sou muito simpática
gosto muito dos cães e dos gatos mas digo mal dos pombos que nos dão cabo dos monumentos
é tudo uma espécie de vírus na placenta
vestido com os azulejos dos descobrimentos
é pois uma doença com linhagem
o primo é conde mas depois falta-lhe a coragem
e o efeito
pueril borboleta
juvenal rabeta
e até a canalhice é maneta
preciso de umas luzinhas, meninas, de umas luzinhas que pisquem
venha a nós a alegria das campainhas
e se não das campainhas, da magia das papoilas
qualquer coisa
qualquer coisa para me escorraçar deste prédio
sobrevive a qualquer coisa esta seca deste tédio
corre-lhe o cimento nas veias
tem canhões entre as ameias
mas virados para os seus próprios soldados
esses nós de marinheiros que nós somos
esses contornos
esses com tornos
das listas
das compras
das finanças
carne fria em tempo quente
tempo livre em sangue morno
sem tédio não há consolo
quem dá mais?
a chave a chave o dinheiro o dinheiro
e o amor do Dartacão
Eu quero é um cirurgião para me livrar do transtorno
e depois sim eu sei que me alongo
há que ser sintética
meia frenética
meia antitética
e caminhar algures entre o desidério e a disenteria
espaço público da miséria alheia graficamente encalhada entre o tédio do sujeito digital e a turbulência da objectividade geral
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
deixar-te a sós, mana minha
fazemo-nos sempre de ferro
mas até agora além dos nossos só nos cruzámos a penas com mundos banhados a cobre
o mar acaba sempre por se fundir com as velas do navio
colha ele a terra ou o tormento
não é o mesmo que deixar-te sozinha
nem dares-me o braço, meu irmão
significa teres que ler-me o mapa do caminho
esfolamos joelhos
arranhamos as mãos
e deixamos que o tempo escreva orações nas nossas testas
e deixamos que o tempo escreva orações nas nossas testas
fazemo-nos sempre de ferro
mas até agora além dos nossos só nos cruzámos a penas com mundos banhados a cobre
e por demais cobertos de verdete
todo o rasto são apostas
qualquer coisa entre as respostas e o peixe que apodrece nas redes de domingo à noite
pelo caminho vamos vendendo umas rifas
sem nos enganarmos que com isso consigamos comprar o horizonte
que rima com mastodonte embora nada disso tenha o que quer que seja a ver com o negócio presente
o nosso isco não se faz tão viscoso
o nosso isco não se faz tão viscoso
as nossas transacções são absolutamente legítimas
esdruxulamente marítimas, pacíficas e bem comportadas
cristazinhas, mas sem trabalho
o que faz delas umas galdérias
segundo a ordem do momento
mas sabemos nós
felizes de mentes
com o peito cheio de verdades
com o peito cheio de verdades
que o vento tanto varre a fúria para dentro do alento como embala o pontapé que nos cospe para fora dele
o mar acaba sempre por se fundir com as velas do navio
colha ele a terra ou o tormento
aprendemos já que o profeta mais não é do que a areia que reflecte a nossa sede no deserto
sabemo-nos perto
e cantamo-nos irmãos
vadios
ao desafio
e cantamo-nos irmãos
vadios
ao desafio
que o cais por agora é de cair
não é de chegar
não é de chegar
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