terça-feira, 6 de setembro de 2011

deixar-te a sós, mana minha
não é o mesmo que deixar-te sozinha

nem dares-me o braço, meu irmão
significa teres que ler-me o mapa do caminho


esfolamos joelhos
arranhamos as mãos
e deixamos que o tempo escreva orações nas nossas testas

fazemo-nos sempre de ferro

mas até agora além dos nossos só nos cruzámos a penas com mundos banhados a cobre
e por demais cobertos de verdete


todo o rasto são apostas

qualquer coisa entre as respostas e o peixe que apodrece nas redes de domingo à noite

pelo caminho vamos vendendo umas rifas
sem nos enganarmos que com isso consigamos comprar o horizonte
que rima com mastodonte embora nada disso tenha o que quer que seja a ver com o negócio presente
o nosso isco não se faz tão viscoso

as nossas transacções são absolutamente legítimas

esdruxulamente marítimas, pacíficas e  bem comportadas

cristazinhas, mas sem trabalho


o que faz delas umas galdérias
segundo a ordem do momento



mas sabemos nós
felizes de mentes
com o peito cheio de verdades
que o vento tanto varre a fúria para dentro do alento como embala o pontapé que nos cospe para fora dele

o mar acaba sempre por se fundir com as velas do navio
colha ele a terra ou o tormento


aprendemos já que o profeta mais não é do que a areia que reflecte a nossa sede no deserto

sabemo-nos perto

e cantamo-nos irmãos
vadios
ao desafio
que o cais por agora é de cair
não é de chegar




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