sexta-feira, 26 de agosto de 2011

só para não deixar o agosto em branco
dou por mim a lavrar um gosto seco
contrariado

a verdade é que sou um corpo eternamente amotinado num dezembro enevoado
moro-me numa espécie de tempo onde não há espaço
e por isso faço sempre por habitar um espaço sem tempo

vou guardando por vezes umas madrugadas


mas o hoje ecoa sempre
longíncuo e sem coordenadas

até agora não descortinei onde pertence
se à ausência que se faz presente ou à presença que se faz ausente


não sei ainda ver além do para trás e do para à frente


podes processar-me
parodiar-me
chicotear-me


não fazer caso




afinal
se eu não sei ver, por que raio ouvires-me?

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