só para não deixar o agosto em branco
dou por mim a lavrar um gosto seco
contrariado
a verdade é que sou um corpo eternamente amotinado num dezembro enevoado
moro-me numa espécie de tempo onde não há espaço
e por isso faço sempre por habitar um espaço sem tempo
vou guardando por vezes umas madrugadas
mas o hoje ecoa sempre
longíncuo e sem coordenadas
até agora não descortinei onde pertence
se à ausência que se faz presente ou à presença que se faz ausente
não sei ainda ver além do para trás e do para à frente
podes processar-me
parodiar-me
chicotear-me
não fazer caso
afinal
se eu não sei ver, por que raio ouvires-me?
Sem comentários:
Enviar um comentário