sábado, 18 de fevereiro de 2012

still nature #3

se calhar toda eu não passo de um mal entendido.

o mais certo é sermos todos um erro de entendimento


ainda assim
aqui estamos

abraçamos o erro todos os dias
e seguimos com a vida porque com a morte não podemos


alguns vão trabalhar
outros não


e há uns que fazem casas
e outros há que se fazem lar
por vezes são os mesmos
por vezes não


abraço o meu erro todos os dias
e o abraço não me deixa dormir

às vezes beijo o teu erro na testa
e corro o engano ao biqueiro

outras não


ainda assim
teimo errar-me continuamente
continuadamente dentro da mesma floresta

há quem lhe chame apego
e quem o pinte consolo



mas eu chamo-me ana
ardo no bosque
e nele vos pinto a todos, ó braços