sou eu maria da fonte
eu a patuleia
e aos vossos pés cuspo a guerra da crimeia
como se minha fosse
como se tua parecesse
sôfregos ergueremos a cimeira
real companhia antiga,
essa besta ainda nova e já tão velha
há uma grande dose de alma de reserva nesta fonte feita lago lamacento
o que o sol seca, o erro queima
e mesmo sem maré se há-de erguer o vento
nem que seja só para que se levante a poeira
espaço público da miséria alheia graficamente encalhada entre o tédio do sujeito digital e a turbulência da objectividade geral
quinta-feira, 31 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
não mais. não mais para a frente. não mais para trás. não mais para ficar.
não.
não mais.
por lorpa me tomem se ficar. ou se embora me for.
por lorpa, tudo bem.
mas
mas
por torpe
mas
por trôpega
mas
por atrelada
por encalhada
não me canteis
que quando vos tropeçar o tomar no julgamento
eis que vos direi
simples e somente
bardamerda que vos leve a todos.
a puta da recessão que vos foda.
a vós,
a vós sim,
seus bandoleiros
a vós, sim,
ó imbecis,
ó tachocratas
seus quadrilheiros onde a vergonha não mora
a vós também
ó tristes donos de uma voz falhada
ó vós para quem o nós é uma chatice
voz vossa pura indolência
qualquer rasgo de força é sempre mera complacência
nesta luta pela subvivência
todos a contribuir afincadamente para a panelinha da eficácia
para o afundamento
para a ignorância
não
não todos
mas demasiados
à espera que abraço os tome em forma de tacho
com toque de veludo
confinados
embrenhados
embrumados dentro do vosso mísero miserável sistema
embrenhados
embrumados dentro do vosso mísero miserável sistema
o nosso nós que a vossa voz não carrega
andamos pois, irmãos meus
andamos pois, ó meus irmãos
andamos pois, ó meus irmãos
há que anos e anos a bradar aos céus
que isto não vai lá nem com contas nem com guizos
e nem os berros altos e nem os largos gritos
nem mesmo se vestidos de sussurros
chegam para derrubar os muros pilares da nossa agonia
moldes cimento e tijolos da vossa apatia
é que no final das contas
eu tenho é problemas de ouvidos
diz que falo sempre muito alto
e nunca ninguém me ouve
quarta-feira, 16 de março de 2011
isso de morar na estrela, no cais ou no bairro alto
é tudo muito bonito
muito alegre
muito perto
mas pouco alto
aqui nesta terra fizeram-se as falésias mais recuadas
e o cheiro do mar trazido pelo vento do rio
aí nesse baixo perto
fuzilado pelo escape
embacia-me as janelas
cobre-me os olhos de fumo
não é pelo facto de teres o rio à tua frente que ele te chega mais concreto
sabemos bem que o olhar não está no ver
aqui só como só aqui
no alto da falésia dos meus vidros espelhados onde se ouvem chorar as gaivotas
o vento faz-me doer o mar que sopra do rio e crer que mergulho
que finalmente mergulhei
que me ausento e me procuro e reenvio a porto seguro todo esse fumo do rio
mas aqui não há enganos nem desvios
há mar terra rio pomar deserto
aqui mora toda a geografia
e onde quer que chorem as gaivotas
hão-de chorar para além de qualquer arquitectura
sexta-feira, 11 de março de 2011
tire-se o propósito às coisas
e pode ser que lhes encontremos o sentido
tirem-se os folhos às saias e as cartas dos envelopes
às coordenadas
arranca-lhes o sul e o norte
tira as cortinas das janelas
tanto faz que te sirvam de tapete voador ou de pano para sacudir o pó
que faças um trapinho com elas
e que a seguir sem remorso o leves vestido aos dentes
carne ideia véu rasgar
e se experimentássemos calar o verbo e ainda assim arriscar a fala?
tirem-me a frente e a retaguarda
esgotem-me a vontade e deixem-me o desejo vivo
há que experimentar a marcha sem a angústia da caminhada
seja eu um farol no meio do nada
ou gravidade num penhasco que nunca mais acaba
deixem uma rede armada mas por cima do meu trapézio
há sobretudo que inverter todo e qualquer laivo de segurança
apaguem-me o risco dos olhos
a origem do ventre
a vida da grafia
deixem-me estar só com o mar
já não preciso do horizonte
e muito menos de uma ilha
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