não mais. não mais para a frente. não mais para trás. não mais para ficar.
não.
não mais.
por lorpa me tomem se ficar. ou se embora me for.
por lorpa, tudo bem.
mas
mas
por torpe
mas
por trôpega
mas
por atrelada
por encalhada
não me canteis
que quando vos tropeçar o tomar no julgamento
eis que vos direi
simples e somente
bardamerda que vos leve a todos.
a puta da recessão que vos foda.
a vós,
a vós sim,
seus bandoleiros
a vós, sim,
ó imbecis,
ó tachocratas
seus quadrilheiros onde a vergonha não mora
a vós também
ó tristes donos de uma voz falhada
ó vós para quem o nós é uma chatice
voz vossa pura indolência
qualquer rasgo de força é sempre mera complacência
nesta luta pela subvivência
todos a contribuir afincadamente para a panelinha da eficácia
para o afundamento
para a ignorância
não
não todos
mas demasiados
à espera que abraço os tome em forma de tacho
com toque de veludo
confinados
embrenhados
embrumados dentro do vosso mísero miserável sistema
embrenhados
embrumados dentro do vosso mísero miserável sistema
o nosso nós que a vossa voz não carrega
andamos pois, irmãos meus
andamos pois, ó meus irmãos
andamos pois, ó meus irmãos
há que anos e anos a bradar aos céus
que isto não vai lá nem com contas nem com guizos
e nem os berros altos e nem os largos gritos
nem mesmo se vestidos de sussurros
chegam para derrubar os muros pilares da nossa agonia
moldes cimento e tijolos da vossa apatia
é que no final das contas
eu tenho é problemas de ouvidos
diz que falo sempre muito alto
e nunca ninguém me ouve
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