tire-se o propósito às coisas
e pode ser que lhes encontremos o sentido
tirem-se os folhos às saias e as cartas dos envelopes
às coordenadas
arranca-lhes o sul e o norte
tira as cortinas das janelas
tanto faz que te sirvam de tapete voador ou de pano para sacudir o pó
que faças um trapinho com elas
e que a seguir sem remorso o leves vestido aos dentes
carne ideia véu rasgar
e se experimentássemos calar o verbo e ainda assim arriscar a fala?
tirem-me a frente e a retaguarda
esgotem-me a vontade e deixem-me o desejo vivo
há que experimentar a marcha sem a angústia da caminhada
seja eu um farol no meio do nada
ou gravidade num penhasco que nunca mais acaba
deixem uma rede armada mas por cima do meu trapézio
há sobretudo que inverter todo e qualquer laivo de segurança
apaguem-me o risco dos olhos
a origem do ventre
a vida da grafia
deixem-me estar só com o mar
já não preciso do horizonte
e muito menos de uma ilha
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