de nada adianta perguntar-me se o intuito era preparares-me para a guerra
de pouco me vale perdoar-te
pintar-te nobre desidério
de nada serve acreditar no mal menor
ou chafurdar o pensamento na maioridade
quando o que está em causa viveu sempre em mim em ausência de ti e dentro do teu cautério
por ti trazido
por momentos
o desfalque
o atropelo
tu guardião do cinismo de betão
eu guerrilheira mais bem armada
mais serena
mais articulada
mas somente em teoria preparada para a batalha
sem saber ainda pelo corpo que é no corpo onde mora a resistência
e que a fé é mera questão de bom senso
à minha pele demasiado aguada ofereceste uns nervos de aço
mas não,
não me interessa perdoar-te
encontrar motivos menos nocivos para o combate
para o deslize
para o desfalque
aqui o canto do cisne há-de ser sempre o salto do acrobata
nem tempo nem lugar postos em causa como arbitrárias consequências delirantes
o trilho se encarregará do pressuposto
e a vontade do encaminhado
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