quarta-feira, 8 de junho de 2011

carta ao filho que hei-de ter

(Não tenhas medo. Ou melhor, tem medo que chegue para te sentires vivo.)


há várias formas de temer pela vida

a única a existir deveria ser o medo da morte
essa cobardia tão nobre de preservar a vida que se preza
e resguardar o corpo que te carrega


não, não há que temer o medo da morte

perigoso é ter medo da vida
e quando a vida é um medo, de nada nos serve o medo da morte


não quer isto dizer, contudo, que te mates

o que te é pedido é que vivas


que sobre tudo




te escolhas dentro da vida
sempre


e
ainda que armado até aos dentes
sorrias
sempre
por favor
mais do que grites

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