como uma ampulheta
e que as ondas nos façam vidros mais polidos
nesta praia dos escombros de tantas outras guerras naufragadas
vou deixar a rádio de novo ligada o dia inteiro
à espera que eventuais assombros me venham assolar a pele
sejam eles musicais ou noticiosos
prometo vestir-me mais vezes de amarelo e desafiar os meus mais recônditos medos de cena
que são exactamente os mesmos que os obscenos
não consigo prometer atear menos incêndios
mas estou quase a ter carteira de bombeiro
duvido se valerá de alguma coisa
nunca percebi se o problema era da chama se era do vento
o que sei é que continuo muito dada à queda
faltando-me sobretudo saber se continuo por resiliência ou apenas por nunca ter aterrado de queixo
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