falemos então de agruras
das contendas
dos cinismos dos acampamentos
(há quem faça da revolta uma tenda)
por quem sois?
por quem somos?
o que tememos?
(eu sempre montei tendas para dormir nelas)
falemos porém das estacas
das cordas
das amarras
(já isto me lembra os navios que nos levam à terra nova, a desejada)
não há razão nem paixão para invocarmos as velhas barracas
é que as velas sopradas ao vento tanto se tornam fogueira
como se fazem bolina
(como me arde o caminho)
o que te traz?
o que te leva?
falemos de nós
dos nós
dos incêndios
egos de marinheiro
pés dos caminheiros
mapa de todos os eus do mundo
chega.
afundem-se os barcos
afoguem-se as estradas
não se reinventem sequer os caminhos
deixem-me estar
soube há muito que o desejo do cocktail com chapéuzinho de papel e palhinha colorida se enseja frequentemente bombástico molotov
arremessado contra a mesma falta de cor do sempre
(como se me inunda a rota)
esta sede não é mais do que o mar que nos volve por dentro
haja paciência para o globo
olhos para o horizonte
asas, guelras, espelhos
haja pais e ciência para o globo
(febril será o trajecto)
inventei-me um flamário
não por oposição a um aquário
mas para que um dia entre os dois não consigamos encontrar diferença alguma
Sem comentários:
Enviar um comentário