segunda-feira, 7 de novembro de 2011

carta à irmã que tenho.

falemos então de agruras
das contendas
dos cinismos dos acampamentos


(há quem faça da revolta uma tenda)


por quem sois?
por quem somos?
o que tememos?


(eu sempre montei tendas para dormir nelas)


falemos porém das estacas
das cordas
das amarras


(já isto me lembra os navios que nos levam à terra nova, a desejada)


não há razão nem paixão para invocarmos as velhas barracas




é que as velas sopradas ao vento tanto se tornam fogueira
como se fazem bolina




(como me arde o caminho)








o que te traz?
o que te leva?




falemos de nós
dos nós


dos incêndios


egos de marinheiro
pés dos caminheiros
mapa de todos os eus do mundo










chega.






afundem-se os barcos
afoguem-se as estradas


não se reinventem sequer os caminhos






deixem-me estar




soube há muito que o desejo do cocktail com chapéuzinho de papel e palhinha colorida se enseja frequentemente bombástico molotov
arremessado contra a mesma falta de cor do sempre




(como se me inunda a rota)




esta sede não é mais do que o mar que nos volve por dentro




haja paciência para o globo
olhos para o horizonte
asas, guelras, espelhos
haja pais e ciência para o globo


(febril será o trajecto)






inventei-me um flamário
não por oposição a um aquário
mas para que um dia entre os dois não consigamos encontrar diferença alguma



Sem comentários:

Enviar um comentário