quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

still nature #2

ouvi dizer que cresceu

fez-se grande
enrouqueceu

dizem que se livrou da espera
e que mudou de falácia

ouvi dizer que se foi

mas porque cresceu
o rasto deixado pelo caminho tornou-se mais longo
mais viscoso

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ofelianamente
wittgensteinianamente
deleuzianamente
sou conduzida
ao suicídio da lógica imanente
à lógica imanente do suicídio
à lógica do suicídio imanente
à lógica da imanência suicida
à imanência suicida da lógica
à imanência da lógica suicida
à imanência lógica do suicídio
ao suicídio imanente da lógica
ao suicídio lógico da imanência




e todas estas excelsas referências
lentamente processadas pelo meu caótico organismo linguístico
precipitam-me numa espécie de animismo prepotente
tradução directa de certa glamourosa potência decadente
de uma sólida virtude cabotina
que nunca se livra da rima por mais que tente

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

still nature #1


ana quieta
anita para os mais amigos
há bem mais de meia hora
ana quieta a mirar o tejo sem ver o rio
sem saber se o que se vive é a obra de arte total ou arte de amor completa
ou nenhuma das duas
se não ambas

ana quieta
ainda pousada
debruçada sobre a velha lâmpada de água
ana quieta que ao ver o rio sonha o mar
e suspende o estéril naufrágio de dois coloridos peixes beta
post-mortem enfrascados em bagaço
e foi um pau

ana só
contra as fronteiras do lago
de inês, o enjoo irrompe para o rio
ana quieta que se deseja em bom porto mareada
mas que entre o buraco e o horizonte possui somente um rio de sobreaviso
seja ele o tempo
ou o infinito