ofelianamente
wittgensteinianamente
deleuzianamente
sou conduzida
ao suicídio da lógica imanente
à lógica imanente do suicídio
à lógica do suicídio imanente
à lógica da imanência suicida
à imanência suicida da lógica
à imanência da lógica suicida
à imanência lógica do suicídio
ao suicídio imanente da lógica
ao suicídio lógico da imanência
e todas estas excelsas referências
lentamente processadas pelo meu caótico organismo linguístico
precipitam-me numa espécie de animismo prepotente
tradução directa de certa glamourosa potência decadente
de uma sólida virtude cabotina
que nunca se livra da rima por mais que tente
espaço público da miséria alheia graficamente encalhada entre o tédio do sujeito digital e a turbulência da objectividade geral
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
still nature #1
ana quieta
anita para os mais amigos
há bem mais de meia hora
ana quieta a mirar o tejo sem ver o rio
sem saber se o que se vive é a obra de arte total ou arte de amor completa
ou nenhuma das duas
se não ambas
ana quieta
ainda pousada
debruçada sobre a velha lâmpada de água
ana quieta que ao ver o rio sonha o mar
e suspende o estéril naufrágio de dois coloridos peixes beta
post-mortem enfrascados em bagaço
e foi um pau
ana só
contra as fronteiras do lago
de inês, o enjoo irrompe para o rio
ana quieta que se deseja em bom porto mareada
mas que entre o buraco e o horizonte possui somente um rio de sobreaviso
seja ele o tempo
ou o infinito
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
também eu habito um convento no desterro
e também eu moro na vontade que dentro dele me deixem em sossego
mas por não poder trazer todos os meus a viver nele
me elevo da vontade de ficar em mim fechada
também eu visto o costume do nosso enterro
mas antes de ser certo esse momento
engulo uma golfada de tempo
e sento-me
não dispo o hábito
não cuspo no alento
mas sento-me
e é sentada que me descalço
ouço ao fundo a sede de Paredes e com ela fujo à mesma morte
a fé continua a ser a única coisa que da sorte não depende
fica sempre bem aos pés descalços
e aquece-nos os corações dormentes
também eu visto o costume do nosso enterro
mas antes de ser certo esse momento
engulo uma golfada de tempo
e sento-me
não dispo o hábito
não cuspo no alento
mas sento-me
e é sentada que me descalço
ouço ao fundo a sede de Paredes e com ela fujo à mesma morte
a fé continua a ser a única coisa que da sorte não depende
fica sempre bem aos pés descalços
e aquece-nos os corações dormentes
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
esperarei que o tempo nos filtre
como uma ampulheta
e que as ondas nos façam vidros mais polidos
nesta praia dos escombros de tantas outras guerras naufragadas
vou deixar a rádio de novo ligada o dia inteiro
à espera que eventuais assombros me venham assolar a pele
sejam eles musicais ou noticiosos
prometo vestir-me mais vezes de amarelo e desafiar os meus mais recônditos medos de cena
que são exactamente os mesmos que os obscenos
não consigo prometer atear menos incêndios
mas estou quase a ter carteira de bombeiro
duvido se valerá de alguma coisa
nunca percebi se o problema era da chama se era do vento
o que sei é que continuo muito dada à queda
faltando-me sobretudo saber se continuo por resiliência ou apenas por nunca ter aterrado de queixo
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
carta à irmã que tenho.
falemos então de agruras
das contendas
dos cinismos dos acampamentos
(há quem faça da revolta uma tenda)
por quem sois?
por quem somos?
o que tememos?
(eu sempre montei tendas para dormir nelas)
falemos porém das estacas
das cordas
das amarras
(já isto me lembra os navios que nos levam à terra nova, a desejada)
não há razão nem paixão para invocarmos as velhas barracas
é que as velas sopradas ao vento tanto se tornam fogueira
como se fazem bolina
(como me arde o caminho)
o que te traz?
o que te leva?
falemos de nós
dos nós
dos incêndios
egos de marinheiro
pés dos caminheiros
mapa de todos os eus do mundo
chega.
afundem-se os barcos
afoguem-se as estradas
não se reinventem sequer os caminhos
deixem-me estar
soube há muito que o desejo do cocktail com chapéuzinho de papel e palhinha colorida se enseja frequentemente bombástico molotov
arremessado contra a mesma falta de cor do sempre
(como se me inunda a rota)
esta sede não é mais do que o mar que nos volve por dentro
haja paciência para o globo
olhos para o horizonte
asas, guelras, espelhos
haja pais e ciência para o globo
(febril será o trajecto)
inventei-me um flamário
não por oposição a um aquário
mas para que um dia entre os dois não consigamos encontrar diferença alguma
das contendas
dos cinismos dos acampamentos
(há quem faça da revolta uma tenda)
por quem sois?
por quem somos?
o que tememos?
(eu sempre montei tendas para dormir nelas)
falemos porém das estacas
das cordas
das amarras
(já isto me lembra os navios que nos levam à terra nova, a desejada)
não há razão nem paixão para invocarmos as velhas barracas
é que as velas sopradas ao vento tanto se tornam fogueira
como se fazem bolina
(como me arde o caminho)
o que te traz?
o que te leva?
falemos de nós
dos nós
dos incêndios
egos de marinheiro
pés dos caminheiros
mapa de todos os eus do mundo
chega.
afundem-se os barcos
afoguem-se as estradas
não se reinventem sequer os caminhos
deixem-me estar
soube há muito que o desejo do cocktail com chapéuzinho de papel e palhinha colorida se enseja frequentemente bombástico molotov
arremessado contra a mesma falta de cor do sempre
(como se me inunda a rota)
esta sede não é mais do que o mar que nos volve por dentro
haja paciência para o globo
olhos para o horizonte
asas, guelras, espelhos
haja pais e ciência para o globo
(febril será o trajecto)
inventei-me um flamário
não por oposição a um aquário
mas para que um dia entre os dois não consigamos encontrar diferença alguma
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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